DE LETRA N 187 (QUARTA-FEIRA, 31-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Na coluna de número 6.812 (6.625 no extinto “Diário da Tarde” e 187 no meu modesto Blog internacional), estou chegando a mais um final de ano. Como o tempo passa depressa! Para os velhos (ou usados, sei lá), bem entendido. Como na quarta-feira não falo do meu querido e glorioso América e nem da nossa quase filarmônica do Gutierrez (assuntos obrigatórios das colunas de segunda e sexta), hoje fico apenas nas amenidades, fatos passados que valem ser lembrados.
NO COLÉGIO Marconi, de 1956 a 1964 (admissão ao ginásio, ginasial e clássico), tive quatro professores de Inglês: os saudosos Rubens Lopes Cançado (primo do advogado e amigo Tarcísio), Alexandre Bogliolo, o mano José Teófilo Santiago e José Gouvêa. Pois bem! Em dezembro de 1961, na prova oral, precisava de média cinco para concluir a antiga quarta série ginasial. O professor titular, Bogliolo, que não gostava de mim, sem qualquer motivo (revoltado, cheguei até ameaçar dar-lhe um pontapé no traseiro), era uma perseguição só...
SÓ fez perguntas complicadas. Como quase nada sabia da matéria, claro que minha nota não poderia passar de zero. Deu tal nota e abriu um sorriso maroto no canto da boca. Quase avancei no mestre. Percebendo, o Zé Teófilo fez um sinal animador com os olhos, demonstrando que iria “quebrar o meu galho”. Fiquei tranqüilo. Não deu outra: dez, dando a média cinco. O Bogliolo, quando soube da minha aprovação, ficou uma “fera” e tentou tirar satisfação com o professor assistente. Só que teve que sair correndo, já que o meu irmão, na época, era um jovem que dava dois dele. Tudo bem, o Zé Migué chegava ao antigo curso clássico. Mais três anos, pré-vestibular e curso de Direito. To be or not to be, that is the question (Ser ou não ser, eis a questão, como diria o imortal escritor Willian Shakespeare)...
SE JÁ não bastasse “encarar” o Bogliolo no ginásio, fui obrigado a suportar o professor José Gouvêa no clássico. Mamãe, o homem era “doido” de “jogar pedra”! Certa ocasião, irritado com alguns alunos, colocou um revólver sobre a mesa e disse: “quem mata aluno do Colégio Marconi não é assassino e, sim, caçador”. No dia seguinte, quando tentou repetir a “gracinha”, desistiu imediatamente (ainda bem), ao ver seis alunos com armas sobre a carteira. Por pouco o Marconi não se transformou em Colégio Iraque...
O MESTRE Gouvêa era amigo de meu saudoso genitor (foram colegas de trabalho na década de 20). Freqüentava sempre a nossa residência. Certa ocasião, conversava na sala com meu pai, quando foi obrigado a ouvir, de um de meus irmãos mais velhos, “uai, essa casa virou hospício?”. Meu irmão levou uma bronca de meu pai, que nem te conto, caro e atento leitor! Assim era o polêmico Gouvêa. Assim era o Colégio Marconi, na época chamado de “universidade da Barroca”. Bons tempos...
ATÉ a próxima.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
DE LETRA
DE LETRA N 186 (SEGUNDA-FEIRA, 29-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Depois do Tigre/de/bengala, da pujante Ipatinga, agora é a vez do Galinho/sem/esporas, da “carioca” Juiz de Fora, o Carijó, falar em terceira força do futebol mineiro. Quanta ousadia! O dia que essa gente chegar perto dos 100 anos (está longe) poderia falar grosso. Mas, por enquanto, Minas Gerais só tem três clubes grandes: o trio CoelhoRapoGalo. Ponto final. O resto é pequeno, mesmo! Tem que crescer e aparecer...
A EXEMPLO de outros clubes brasileiros (a duplinha RapoGalo não está fora dessa), o meu querido e glorioso América está montando uma equipe Sub-35. Seria para disputar uma competição de veteranos? Veja bem, caro e atento leitor: o clube já contava com o goleirão Flávio e o atacante Euller. E acaba de contratar o lateral-direito Evanilson, o zagueiro Wellington Paulo, os meias Luiz Carlos Capixaba e Chico Marcelo e o atacante Bruno Mineiro. Todos, os sete, respeitáveis cidadãos que já ultrapassaram a barreira dos 30 anos. Se os sete forem titulares, restariam quatro atletas jovens que teriam que correr por eles. De se registrar que quatro dos veteranos começaram a carreira em nossas categorias de base (Euller, Evanilson, Wellington e Bruno). Resumindo: jogador jovem sai do clube “forçando a barra” e retorna envelhecido como “salvador da pátria”. Não demora e os “ingratos” Rui e Wagner voltam. Pior é saber que o júnior americano é o atual campeão estadual. Coisas que só acontecem com o meu América. Fazer o quê, se sempre foi assim? O jeito é torcer para que dê certo na próxima temporada, com Campeonato Mineiro, Série C do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. De qualquer maneira, dá-lhe, Coelho...
PS – Ao contrário da semana passada, quando ultrapassou seus limites fazendo quatro apresentações (sexta-feira, sábado, domingo e terça-feira), a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sob o firme comando do grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o da timba afinada e barulhenta, esteve devagar, quase parando, neste final de semana, deixando de tocar sábado, por falta de um bom violonista. Final de ano é assim mesmo (Natal e Ano Novo). A banda só tocou na noite de sexta-feira (Braúna e seus blues caps) e tarde de domingo. Ontem, um belo quinteto formado por Odilon Teixeira (violão e voz), Jânio, Alemão, Jésus Brito (percussão) e Délio das Graças Gandra (percussão, violão, banjo e voz). O Nortinho estava trabalhando (trabalhadores do Brasil!) e o Cadinho Faria, o “mago do violão”, estava na acolhedora Conceição do Mato Dentro, “paparicando” o mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago. É para lá que deve ir amanhã o Délio Gandra, levando na bagagem muita música, casos, “causos” e mentiras. Deve ser uma passagem de ano daquelas na residência interiorana do Domingos. Dessa vez, infelizmente, estarei fora...
ATÉ a próxima.
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Depois do Tigre/de/bengala, da pujante Ipatinga, agora é a vez do Galinho/sem/esporas, da “carioca” Juiz de Fora, o Carijó, falar em terceira força do futebol mineiro. Quanta ousadia! O dia que essa gente chegar perto dos 100 anos (está longe) poderia falar grosso. Mas, por enquanto, Minas Gerais só tem três clubes grandes: o trio CoelhoRapoGalo. Ponto final. O resto é pequeno, mesmo! Tem que crescer e aparecer...
A EXEMPLO de outros clubes brasileiros (a duplinha RapoGalo não está fora dessa), o meu querido e glorioso América está montando uma equipe Sub-35. Seria para disputar uma competição de veteranos? Veja bem, caro e atento leitor: o clube já contava com o goleirão Flávio e o atacante Euller. E acaba de contratar o lateral-direito Evanilson, o zagueiro Wellington Paulo, os meias Luiz Carlos Capixaba e Chico Marcelo e o atacante Bruno Mineiro. Todos, os sete, respeitáveis cidadãos que já ultrapassaram a barreira dos 30 anos. Se os sete forem titulares, restariam quatro atletas jovens que teriam que correr por eles. De se registrar que quatro dos veteranos começaram a carreira em nossas categorias de base (Euller, Evanilson, Wellington e Bruno). Resumindo: jogador jovem sai do clube “forçando a barra” e retorna envelhecido como “salvador da pátria”. Não demora e os “ingratos” Rui e Wagner voltam. Pior é saber que o júnior americano é o atual campeão estadual. Coisas que só acontecem com o meu América. Fazer o quê, se sempre foi assim? O jeito é torcer para que dê certo na próxima temporada, com Campeonato Mineiro, Série C do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. De qualquer maneira, dá-lhe, Coelho...
PS – Ao contrário da semana passada, quando ultrapassou seus limites fazendo quatro apresentações (sexta-feira, sábado, domingo e terça-feira), a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sob o firme comando do grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o da timba afinada e barulhenta, esteve devagar, quase parando, neste final de semana, deixando de tocar sábado, por falta de um bom violonista. Final de ano é assim mesmo (Natal e Ano Novo). A banda só tocou na noite de sexta-feira (Braúna e seus blues caps) e tarde de domingo. Ontem, um belo quinteto formado por Odilon Teixeira (violão e voz), Jânio, Alemão, Jésus Brito (percussão) e Délio das Graças Gandra (percussão, violão, banjo e voz). O Nortinho estava trabalhando (trabalhadores do Brasil!) e o Cadinho Faria, o “mago do violão”, estava na acolhedora Conceição do Mato Dentro, “paparicando” o mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago. É para lá que deve ir amanhã o Délio Gandra, levando na bagagem muita música, casos, “causos” e mentiras. Deve ser uma passagem de ano daquelas na residência interiorana do Domingos. Dessa vez, infelizmente, estarei fora...
ATÉ a próxima.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
DE LETRA N 185 (SEXTA-FEIRA, 26-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Foram bem de Natal? Espero que sim, com muita paz na alma e amor no coração. De minha parte, por não gostar da festa, que acho triste pelas gritantes diferenças sociais, passei o tempo todo tomando o velho “guaraná” com os amigos e familiares. Tempo integral! Dois dias! Ufa, que fôlego! Hoje volta tudo ao normal. Pessoas e carros na rua, tudo aberto, mormente os bares. Para se achar bar aberto nos dois dias, foi uma aventura daquelas. No meu Gutierrez, por exemplo, somente três. Mas, com criatividade, tudo fica bem menos complicado...
NA SEMANA passada, afirmei que continuava o desrespeito da mídia esportiva mineira para com o meu querido, glorioso e desprotegido América, citando um exemplar do jornal “Super Notícia”, que não deu uma linha sequer do clube. Pois bem! Hoje resolvi trocar de jornal, adquirindo o “Aqui”, que ficou com o espaço do extinto “Diário da Tarde”. E viva a diferença! Nada de Coelho! Apenas o noticiário da “fajuta”, “fuleira”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo, a coluna “Gandula” dos amigos AFO e Son Salvador, Palmeiras, a coluna “Boladas e Botinadas” do Son e a dos três grandes das Minas Gerais (do americano Otávio Di Toledo, do atleticano Dudu e do cruzeirense Bauxita). Não conheço o Dudu. Apenas o Otávio (filho do nosso ex-lateral Toledo) e o Bauxita (filho do conceituado advogado Carlos Esquerdo, meu amigo). Coelho desprestigiado! E não é por falta de notícias, vez que o clube já adquiriu quatro reforços para a próxima temporada (Campeonato Mineiro, Série C do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil). É falta de vontade, mesmo...
PS – Exagerou a nossa quase filarmônica do Gutierrez, que, comandada pelo grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, brilhou na noite de sexta-feira, tarde/noite de sábado, tarde de domingo e noite da última terça-feira, véspera de Natal. Haja fôlego! Por lá desfilaram músicos talentosos como Nortinho, Cadinho Faria (o “mago do violão”), Antônio Orfeu Braúna, Délio das Graças Gandra, Odilon Teixeira, Átila e outros. Mas, o melhor, mesmo, foi a presença inesperada do talentoso músico Nema Antunes (casado com a Maria Alice, sobrinha da Rita Maria), baixista da banda do Ivan Lins, que deu um “show”. Só faltou dar autógrafos! Por sorte nossa, seu veículo “pifou” em Beagá (ele estava viajando do Rio de Janeiro, onde mora, para Brasília, onde passaria o Natal com os sogros Duílio e Clara Maria Lima Baroni, minha colega de turma em 1970 na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais). Prometeu voltar em maio do próximo ano, para abrilhantar meu aniversário. Tomara! Isso, é claro, dependendo da agenda, na ocasião, do Ivan Lins. Se houver “show” marcado, mando cancelar. A conferir...
ATÉ a próxima.
OLÁ, caros leitores semanais! Foram bem de Natal? Espero que sim, com muita paz na alma e amor no coração. De minha parte, por não gostar da festa, que acho triste pelas gritantes diferenças sociais, passei o tempo todo tomando o velho “guaraná” com os amigos e familiares. Tempo integral! Dois dias! Ufa, que fôlego! Hoje volta tudo ao normal. Pessoas e carros na rua, tudo aberto, mormente os bares. Para se achar bar aberto nos dois dias, foi uma aventura daquelas. No meu Gutierrez, por exemplo, somente três. Mas, com criatividade, tudo fica bem menos complicado...
NA SEMANA passada, afirmei que continuava o desrespeito da mídia esportiva mineira para com o meu querido, glorioso e desprotegido América, citando um exemplar do jornal “Super Notícia”, que não deu uma linha sequer do clube. Pois bem! Hoje resolvi trocar de jornal, adquirindo o “Aqui”, que ficou com o espaço do extinto “Diário da Tarde”. E viva a diferença! Nada de Coelho! Apenas o noticiário da “fajuta”, “fuleira”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo, a coluna “Gandula” dos amigos AFO e Son Salvador, Palmeiras, a coluna “Boladas e Botinadas” do Son e a dos três grandes das Minas Gerais (do americano Otávio Di Toledo, do atleticano Dudu e do cruzeirense Bauxita). Não conheço o Dudu. Apenas o Otávio (filho do nosso ex-lateral Toledo) e o Bauxita (filho do conceituado advogado Carlos Esquerdo, meu amigo). Coelho desprestigiado! E não é por falta de notícias, vez que o clube já adquiriu quatro reforços para a próxima temporada (Campeonato Mineiro, Série C do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil). É falta de vontade, mesmo...
PS – Exagerou a nossa quase filarmônica do Gutierrez, que, comandada pelo grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, brilhou na noite de sexta-feira, tarde/noite de sábado, tarde de domingo e noite da última terça-feira, véspera de Natal. Haja fôlego! Por lá desfilaram músicos talentosos como Nortinho, Cadinho Faria (o “mago do violão”), Antônio Orfeu Braúna, Délio das Graças Gandra, Odilon Teixeira, Átila e outros. Mas, o melhor, mesmo, foi a presença inesperada do talentoso músico Nema Antunes (casado com a Maria Alice, sobrinha da Rita Maria), baixista da banda do Ivan Lins, que deu um “show”. Só faltou dar autógrafos! Por sorte nossa, seu veículo “pifou” em Beagá (ele estava viajando do Rio de Janeiro, onde mora, para Brasília, onde passaria o Natal com os sogros Duílio e Clara Maria Lima Baroni, minha colega de turma em 1970 na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais). Prometeu voltar em maio do próximo ano, para abrilhantar meu aniversário. Tomara! Isso, é claro, dependendo da agenda, na ocasião, do Ivan Lins. Se houver “show” marcado, mando cancelar. A conferir...
ATÉ a próxima.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
De Letra
DE LETRA N 184 (QUARTA-FEIRA, 24-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Como há milhares de anos, mais uma vez, é Natal, festa maior da cristandade. O mundo pára para comemorar o nascimento do Menino Jesus, filho do carpinteiro José e da Virgem Maria. Pobre e humilde, nasceu em uma manjedoura, cercado de animais. A humildade que pregou durante seus 33 anos de vida, de nada valeu para a maioria, que continua comemorando o evento com pompa e ostentação, enquanto milhares seguem abaixo da linha da pobreza, sem motivo e condição de comemorar nada. Assim caminha a espécie humana, para quem, o importante é ter e, não, ser...
DE QUANDO em vez, alguém me pergunta, por quê eu sou tão calado e triste no Natal. Acho que tenho motivos de sobra para ser assim, diante das enormes diferenças sociais. Meu trauma natalino começou no já distante início da década de 50, na acolhedora Visconde do Rio Branco. Criança de sete anos de idade, como todas as crianças, escrevi minha cartinha ao Papai Noel, colocando-a na janela de meu quarto, dentro de um surrado sapato, na esperança de que o Bom Velhinho a encontrasse e deixasse o presente que pedi, uma bola de futebol...
ACORDEI várias vezes de madrugada para conferir a árvore de Natal. Nada! De manhã fomos para a rua, eu, meus 11 irmãos e meus genitores. Meu pai, que era magistrado, não recebia seus vencimentos há sete meses. Sem dinheiro, como presentear uma prole tão grande? Ele nos reuniu e, imagino, com o coração sangrando, contou-nos que o trenó de Papai Noel havia se atolado na barrenta estrada que ligava Ubá a Visconde do Rio Branco, vez que chovia muito, como, aliás, é normal nessa época do ano...
SEM presentes, a frustração tomou conta dos 12 irmãos. De repente, nada mais do que de repente, percebi que todos os meus amigos brincavam com seus presentes, bolas e carrinhos, principalmente. Nada entendi. Só compreendi, muitos anos após, já adulto, que Natal é uma festa meramente comercial. Quem pode, pode, comemora, quem não pode, fica olhando, triste, na esperança de que Papai Noel, no próximo Natal, desça pela chaminé invisível do nosso coração, trazendo presentes de verdade, como amor, fraternidade e compreensão, que, naturalmente, não são vendidos em lojas...
ENTRETANTO, gostaria de deixar bem claro que não sou contra quem gosta e comemora. Mas, para mim, o Natal dos homens é um dia como outro qualquer. Nesta semana, já participei de duas festas de confraternização (a tradicional leitoa do mano Domingos Afonso no bar do Dalmir e a organizada pelos amigos Jésus Brito e Délio Gandra no restaurante “Sub Zero”) e devo participar de outra hoje, na casa de meu irmão mais velho, Sérgio, tomando o velho “guaraná”, jogando conversa fora e vendo a festa rolar do lado, deixando a “vida me levar”, como cantaria Zeca Pagodinho. E, lembrando o genial Raul Seixas, ouvindo baixinho “de quando em vez você me pergunta, por quê eu sou tão calado?”. E triste. É o Natal...
ATÉ a próxima.
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Como há milhares de anos, mais uma vez, é Natal, festa maior da cristandade. O mundo pára para comemorar o nascimento do Menino Jesus, filho do carpinteiro José e da Virgem Maria. Pobre e humilde, nasceu em uma manjedoura, cercado de animais. A humildade que pregou durante seus 33 anos de vida, de nada valeu para a maioria, que continua comemorando o evento com pompa e ostentação, enquanto milhares seguem abaixo da linha da pobreza, sem motivo e condição de comemorar nada. Assim caminha a espécie humana, para quem, o importante é ter e, não, ser...
DE QUANDO em vez, alguém me pergunta, por quê eu sou tão calado e triste no Natal. Acho que tenho motivos de sobra para ser assim, diante das enormes diferenças sociais. Meu trauma natalino começou no já distante início da década de 50, na acolhedora Visconde do Rio Branco. Criança de sete anos de idade, como todas as crianças, escrevi minha cartinha ao Papai Noel, colocando-a na janela de meu quarto, dentro de um surrado sapato, na esperança de que o Bom Velhinho a encontrasse e deixasse o presente que pedi, uma bola de futebol...
ACORDEI várias vezes de madrugada para conferir a árvore de Natal. Nada! De manhã fomos para a rua, eu, meus 11 irmãos e meus genitores. Meu pai, que era magistrado, não recebia seus vencimentos há sete meses. Sem dinheiro, como presentear uma prole tão grande? Ele nos reuniu e, imagino, com o coração sangrando, contou-nos que o trenó de Papai Noel havia se atolado na barrenta estrada que ligava Ubá a Visconde do Rio Branco, vez que chovia muito, como, aliás, é normal nessa época do ano...
SEM presentes, a frustração tomou conta dos 12 irmãos. De repente, nada mais do que de repente, percebi que todos os meus amigos brincavam com seus presentes, bolas e carrinhos, principalmente. Nada entendi. Só compreendi, muitos anos após, já adulto, que Natal é uma festa meramente comercial. Quem pode, pode, comemora, quem não pode, fica olhando, triste, na esperança de que Papai Noel, no próximo Natal, desça pela chaminé invisível do nosso coração, trazendo presentes de verdade, como amor, fraternidade e compreensão, que, naturalmente, não são vendidos em lojas...
ENTRETANTO, gostaria de deixar bem claro que não sou contra quem gosta e comemora. Mas, para mim, o Natal dos homens é um dia como outro qualquer. Nesta semana, já participei de duas festas de confraternização (a tradicional leitoa do mano Domingos Afonso no bar do Dalmir e a organizada pelos amigos Jésus Brito e Délio Gandra no restaurante “Sub Zero”) e devo participar de outra hoje, na casa de meu irmão mais velho, Sérgio, tomando o velho “guaraná”, jogando conversa fora e vendo a festa rolar do lado, deixando a “vida me levar”, como cantaria Zeca Pagodinho. E, lembrando o genial Raul Seixas, ouvindo baixinho “de quando em vez você me pergunta, por quê eu sou tão calado?”. E triste. É o Natal...
ATÉ a próxima.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
DE LETRA
DE LETRA N 183 (SEGUNDA-FEIRA, 22-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! O desrespeito continua. Pobre América, que segue sendo desprestigiado pela mídia esportiva mineira, para desespero dos grandes americanos José Américo Campos (o do chapelão mexicano) e Joaquim Gonçalves Fonseca (o rei das damas do Gutierrez e exímio pandeirista nas horas vagas). Perdi meu tempo, na manhã de hoje, ao adquirir o jornal “Super Notícia” (é o que passei a ler diariamente depois que acabaram com o já saudoso “Diário da Tarde”). O matutino não deu uma linha sequer do meu querido e glorioso América. Nem a coluna do americano Mário Filho (“Américo Coelho”). Somente o noticiário da “fajuta”, “fuleira”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo (para variar), Campeonato Italiano, a chegada do ex-americano Fred ao Aeroporto Internacional de Confins, a apreciada coluna do amigo Chico Maia (deu uma notinha sobre o eleito Conselho Administrativo do América, que acha que não vai funcionar, a exemplo do desastroso Conselho Gestor), Mundial de Clubes, vôlei, Copa do Mundo, a coluna do Mário Brito e o Módulo II mineiro. Pobre América, o último a falar e o primeiro a apanhar nas Minas Gerais! Fazer o quê?
E NÃO é por estar o velho ludopédio parado, pois falam dos outros clubes. Que marcação é essa? Notícia do meu América tem. Basta procurar. O problema é a preguiça e a falta de interesse. Por exemplo, o clube já adquiriu três reforços mas ninguém divulgou absolutamente nadinha. Um deles, um ex-atacante americano (criado nas nossas categorias de base), que está sendo “repatriado”. Outros reforços virão, mas a diretoria só irá divulgar os nomes no próximo dia 2. O jeito é esperar e torcer para que sejam bons de verdade. O América tem que brilhar no Campeonato Mineiro, na Série C do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil de 2009. Saravá e dedos cruzados...
PS – Enquanto isso, a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sob o firme comando do grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o “polêmico” da timba afinada e barulhenta, voltou a abrilhantar o bairro, na noite de sexta-feira, tarde/noite de sábado e tarde de domingo. Mas, o melhor, mesmo, foi a tradicional leitoa de fim de ano do mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago, no bar do Dalmir (Rua Ludgero Dolabela), com a quase filarmônica (Cadinho Faria, o “mago do violão”, Farjallo, Átila, Délio das Graças Gandra, Bizo, Roberval Rocha e outros) se juntando à banda dos amigos Lira, Camilo e Marquinhos. Um “show”! Até o maestro Dinho (leitor assíduo de meu modesto Blog internacional) esteve no logradouro. A Denise, também, dando seu espetáculo, no estilo Elza Soares. No ano que vem tem mais...
ATÉ a próxima.
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! O desrespeito continua. Pobre América, que segue sendo desprestigiado pela mídia esportiva mineira, para desespero dos grandes americanos José Américo Campos (o do chapelão mexicano) e Joaquim Gonçalves Fonseca (o rei das damas do Gutierrez e exímio pandeirista nas horas vagas). Perdi meu tempo, na manhã de hoje, ao adquirir o jornal “Super Notícia” (é o que passei a ler diariamente depois que acabaram com o já saudoso “Diário da Tarde”). O matutino não deu uma linha sequer do meu querido e glorioso América. Nem a coluna do americano Mário Filho (“Américo Coelho”). Somente o noticiário da “fajuta”, “fuleira”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo (para variar), Campeonato Italiano, a chegada do ex-americano Fred ao Aeroporto Internacional de Confins, a apreciada coluna do amigo Chico Maia (deu uma notinha sobre o eleito Conselho Administrativo do América, que acha que não vai funcionar, a exemplo do desastroso Conselho Gestor), Mundial de Clubes, vôlei, Copa do Mundo, a coluna do Mário Brito e o Módulo II mineiro. Pobre América, o último a falar e o primeiro a apanhar nas Minas Gerais! Fazer o quê?
E NÃO é por estar o velho ludopédio parado, pois falam dos outros clubes. Que marcação é essa? Notícia do meu América tem. Basta procurar. O problema é a preguiça e a falta de interesse. Por exemplo, o clube já adquiriu três reforços mas ninguém divulgou absolutamente nadinha. Um deles, um ex-atacante americano (criado nas nossas categorias de base), que está sendo “repatriado”. Outros reforços virão, mas a diretoria só irá divulgar os nomes no próximo dia 2. O jeito é esperar e torcer para que sejam bons de verdade. O América tem que brilhar no Campeonato Mineiro, na Série C do Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil de 2009. Saravá e dedos cruzados...
PS – Enquanto isso, a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sob o firme comando do grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o “polêmico” da timba afinada e barulhenta, voltou a abrilhantar o bairro, na noite de sexta-feira, tarde/noite de sábado e tarde de domingo. Mas, o melhor, mesmo, foi a tradicional leitoa de fim de ano do mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago, no bar do Dalmir (Rua Ludgero Dolabela), com a quase filarmônica (Cadinho Faria, o “mago do violão”, Farjallo, Átila, Délio das Graças Gandra, Bizo, Roberval Rocha e outros) se juntando à banda dos amigos Lira, Camilo e Marquinhos. Um “show”! Até o maestro Dinho (leitor assíduo de meu modesto Blog internacional) esteve no logradouro. A Denise, também, dando seu espetáculo, no estilo Elza Soares. No ano que vem tem mais...
ATÉ a próxima.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
DE LETRA
DE LETRA N 182 (SEXTA-FEIRA, 19-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Ninguém queria assumir sozinho o árduo cargo de presidente do meu querido e glorioso América. O ainda presidente (até o início de janeiro próximo) Antônio Manuel Baltazar, a quem o clube deve tanto, não aceitou a reeleição. Os dirigentes Francisco de Assis Santiago (ilibado promotor de Justiça do II Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte) e Alencar da Silveira Júnior (deputado estadual) não aceitaram o encargo. Sozinho, ninguém ousou disputar a eleição. “Está besta, homem!”, pensaram todos. Passar para a história do clube na Terceira Divisão Nacional e na Segundona Mineira? Estou fora...
TODO americano ficou apreensivo. Afinal, o prazo de apresentação das chapas estava terminando. Quem iria dirigir o clube mais importante das Minas Gerais? Mas, na undécima hora, de repente, nada mais do que de repente, “apareceu a margarida”, a “luz foi dada”, com a solução do problema. Sete americanos vão dirigir o destino do clube no próximo triênio, inicialmente, sob a presidência do notável Afonso Celso Raso, nosso eterno presidente. Já vi triunvirato. Mas, sete, nunca. Tomara que esse sete não seja conta de mentiroso. O torcedor espera por uma diretoria de verdade, para dar seqüência ao belo trabalho desenvolvido pelo dinâmico Antônio Baltazar. Sete reforços serão apresentados no próximo dia 2. Olha o sete aí de novo! Na próxima temporada é preciso brilhar, no Campeonato Mineiro, no Campeonato Brasileiro da Série C e na Copa do Brasil. Chega de vexame e de ser tratado como “coitadinho”. Dá-lhe, Coelho!
O TORCEDOR quer ver de novo um Coelho que faz tremer de medo a “fuleira”, “fajuta”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo. Um Coelho forte e destemido, como o que conheci no já distante 1955, quando comecei a torcer pelo clube mais glorioso das Montanhas. Um clube que disputava títulos e não apenas participava das competições. Um América respeitável, como aquele de 1973, sétimo colocado do Brasileirão que, por pouco, não disputou o título. Infelizmente, no meio do caminho estavam os talentosos Ademir da Guia (Palmeiras) e Roberto Rivelino (Corinthians)...
PS – No meio do caminho não há pedra que segure a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sempre bem comandada pelo grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o da timba afinada e barulhenta, que volta a nos encantar, na noite de hoje, tarde/noite de amanhã e tarde de domingo. A dúvida é se a banda vai tocar amanhã, data especial em que o mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago oferece sua tradicional leitoa de fim de ano aos familiares e amigos, já que, no evento, está programado um “show” da banda do Marquinho, Lira, Camilo, Alemão (ex-ídolo americano) e outros. Tudo, a conferir...
ATÉ a próxima.
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Ninguém queria assumir sozinho o árduo cargo de presidente do meu querido e glorioso América. O ainda presidente (até o início de janeiro próximo) Antônio Manuel Baltazar, a quem o clube deve tanto, não aceitou a reeleição. Os dirigentes Francisco de Assis Santiago (ilibado promotor de Justiça do II Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte) e Alencar da Silveira Júnior (deputado estadual) não aceitaram o encargo. Sozinho, ninguém ousou disputar a eleição. “Está besta, homem!”, pensaram todos. Passar para a história do clube na Terceira Divisão Nacional e na Segundona Mineira? Estou fora...
TODO americano ficou apreensivo. Afinal, o prazo de apresentação das chapas estava terminando. Quem iria dirigir o clube mais importante das Minas Gerais? Mas, na undécima hora, de repente, nada mais do que de repente, “apareceu a margarida”, a “luz foi dada”, com a solução do problema. Sete americanos vão dirigir o destino do clube no próximo triênio, inicialmente, sob a presidência do notável Afonso Celso Raso, nosso eterno presidente. Já vi triunvirato. Mas, sete, nunca. Tomara que esse sete não seja conta de mentiroso. O torcedor espera por uma diretoria de verdade, para dar seqüência ao belo trabalho desenvolvido pelo dinâmico Antônio Baltazar. Sete reforços serão apresentados no próximo dia 2. Olha o sete aí de novo! Na próxima temporada é preciso brilhar, no Campeonato Mineiro, no Campeonato Brasileiro da Série C e na Copa do Brasil. Chega de vexame e de ser tratado como “coitadinho”. Dá-lhe, Coelho!
O TORCEDOR quer ver de novo um Coelho que faz tremer de medo a “fuleira”, “fajuta”, famigerada e protegida duplinha RapoGalo. Um Coelho forte e destemido, como o que conheci no já distante 1955, quando comecei a torcer pelo clube mais glorioso das Montanhas. Um clube que disputava títulos e não apenas participava das competições. Um América respeitável, como aquele de 1973, sétimo colocado do Brasileirão que, por pouco, não disputou o título. Infelizmente, no meio do caminho estavam os talentosos Ademir da Guia (Palmeiras) e Roberto Rivelino (Corinthians)...
PS – No meio do caminho não há pedra que segure a nossa quase filarmônica do Gutierrez, sempre bem comandada pelo grande e dileto amigo americano/santista Jésus Wagner Marques Brito, o da timba afinada e barulhenta, que volta a nos encantar, na noite de hoje, tarde/noite de amanhã e tarde de domingo. A dúvida é se a banda vai tocar amanhã, data especial em que o mano cruzeirense Domingos Afonso Santiago oferece sua tradicional leitoa de fim de ano aos familiares e amigos, já que, no evento, está programado um “show” da banda do Marquinho, Lira, Camilo, Alemão (ex-ídolo americano) e outros. Tudo, a conferir...
ATÉ a próxima.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
DE LETRA
DE LETRA N 181 (QUARTA-FEIRA, 17-12-08)
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Quarta-feira é dia de amenidades, casos e “causos”, ficando o meu querido e glorioso América e a nossa quase filarmônica do Gutierrez para as colunas de segunda e sexta. Pois bem! No início da década de 80, convidado pela diretoria, por ser o cronista representante do Coelho na mídia escrita, sempre viajava com a delegação, por esse Brasil gigante, o que deixei de fazer, posteriormente, após ter sido desrespeitado por dois ex-presidentes do clube. Fazer o quê, se o velho ludopédio, infelizmente, é assim mesmo? O que eu não poderia fazer era continuar convivendo com esse tipo de gente...
OLHA, Luís Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão são “fichinhas” perto do saudoso treinador Dorival Knippel, o temível Yustrich, chamado de “Homão”. O meu América foi enfrentar o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro, no belo estádio Serra Dourada. No aeroporto de Goiânia, fumava ao lado do ônibus que levaria a delegação para o hotel. De repente, em voz alta, ele ordenou: “jogue esse cigarro fora”. Ainda não o conhecia pessoalmente. Sem perda de tempo, afirmei: “Yustrich, só acato ordens de duas pessoas, os meus queridos genitores. Não sou inconseqüente para fumar no ônibus ao lado dos jogadores do meu clube do coração”. O “Homão” nada falou (ainda bem). Terminei de fumar, joguei o cigarro na lixeira e entrei no ônibus...
ENQUANTO os atletas foram fazer um relaxamento em um centro de treinamentos, fui para o hotel “Samambaia” com o saudoso médico Aramys Silva, que, como um profissional cuidadoso, foi conferir o cardápio do almoço. Deixei a bagagem no apartamento e fui tomar o velho “guaraná” na calçada do hotel. Uma hora após, o ônibus estacionou. Todos foram para seus apartamentos esperar pelo almoço. Menos o Yustrich, que ocupou uma cadeira ao meu lado e pediu, em voz alta (deve ter nascido em alguma cachoeira, pois só falava alto), uma água mineral. Nunca o vi bebendo...
FIQUEI na minha! Afinal, na década de 60, ele já havia agredido um famoso radialista mineiro (na saudosa Alameda) e um jogador do América (no Mineirão). Quebrando o silêncio, o treinador disse: “Meu jovem, gostei de você. Enquanto todos me temem, você me “encarou”. Homem tem que ser “machão”, sem medo de quem quer que seja”. Ainda ousei dizer que não tinha medo de ninguém, de nada. Afinal, não sou filho de pai assustado. Tinha por ele apenas respeito...
O TEMPO passou e ficamos grandes amigos, nunca faltando o devido respeito mútuo. Mesmo após sua merecida aposentadoria, sempre que nos encontrávamos em algum logradouro, apertava minha mão e contava casos interessantes acontecidos em sua longa carreira de jogador (foi goleiro do Flamengo) e de treinador. E quando eu lembrava do cigarro no aeroporto de Goiânia, dava gargalhadas gostosas. Esse era o “Homão”, como uma formiga, que “mordia e beijava”. Grande Yustrich! Que o Criador o tenha em bom lugar...
ATÉ a próxima.
MIGUEL SANTIAGO
OLÁ, caros leitores semanais! Quarta-feira é dia de amenidades, casos e “causos”, ficando o meu querido e glorioso América e a nossa quase filarmônica do Gutierrez para as colunas de segunda e sexta. Pois bem! No início da década de 80, convidado pela diretoria, por ser o cronista representante do Coelho na mídia escrita, sempre viajava com a delegação, por esse Brasil gigante, o que deixei de fazer, posteriormente, após ter sido desrespeitado por dois ex-presidentes do clube. Fazer o quê, se o velho ludopédio, infelizmente, é assim mesmo? O que eu não poderia fazer era continuar convivendo com esse tipo de gente...
OLHA, Luís Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão são “fichinhas” perto do saudoso treinador Dorival Knippel, o temível Yustrich, chamado de “Homão”. O meu América foi enfrentar o Goiás, pelo Campeonato Brasileiro, no belo estádio Serra Dourada. No aeroporto de Goiânia, fumava ao lado do ônibus que levaria a delegação para o hotel. De repente, em voz alta, ele ordenou: “jogue esse cigarro fora”. Ainda não o conhecia pessoalmente. Sem perda de tempo, afirmei: “Yustrich, só acato ordens de duas pessoas, os meus queridos genitores. Não sou inconseqüente para fumar no ônibus ao lado dos jogadores do meu clube do coração”. O “Homão” nada falou (ainda bem). Terminei de fumar, joguei o cigarro na lixeira e entrei no ônibus...
ENQUANTO os atletas foram fazer um relaxamento em um centro de treinamentos, fui para o hotel “Samambaia” com o saudoso médico Aramys Silva, que, como um profissional cuidadoso, foi conferir o cardápio do almoço. Deixei a bagagem no apartamento e fui tomar o velho “guaraná” na calçada do hotel. Uma hora após, o ônibus estacionou. Todos foram para seus apartamentos esperar pelo almoço. Menos o Yustrich, que ocupou uma cadeira ao meu lado e pediu, em voz alta (deve ter nascido em alguma cachoeira, pois só falava alto), uma água mineral. Nunca o vi bebendo...
FIQUEI na minha! Afinal, na década de 60, ele já havia agredido um famoso radialista mineiro (na saudosa Alameda) e um jogador do América (no Mineirão). Quebrando o silêncio, o treinador disse: “Meu jovem, gostei de você. Enquanto todos me temem, você me “encarou”. Homem tem que ser “machão”, sem medo de quem quer que seja”. Ainda ousei dizer que não tinha medo de ninguém, de nada. Afinal, não sou filho de pai assustado. Tinha por ele apenas respeito...
O TEMPO passou e ficamos grandes amigos, nunca faltando o devido respeito mútuo. Mesmo após sua merecida aposentadoria, sempre que nos encontrávamos em algum logradouro, apertava minha mão e contava casos interessantes acontecidos em sua longa carreira de jogador (foi goleiro do Flamengo) e de treinador. E quando eu lembrava do cigarro no aeroporto de Goiânia, dava gargalhadas gostosas. Esse era o “Homão”, como uma formiga, que “mordia e beijava”. Grande Yustrich! Que o Criador o tenha em bom lugar...
ATÉ a próxima.
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